Loading

Elisabete Gonçalves

goncalveselisabeter@gmail.com

Deleite

Ombros caídos, ar de quem há muito lhe fugiu a energia, coloco a chave na porta e, finalmente, entro em casa. A sala recebe-me com o seu manto branco salpicado de livros, quadros, e outros objetos repletos de histórias e recordações. Chegara finalmente ao meu éden.

Tinha encontro marcado com o sofá e não me fiz de rogada. Alinhei-me na retidão dos seus braços e deixei-me ficar. A mesa de jantar, longa e impecavelmente posta, do outro lado da sala, remete-me para mais um prenúncio de aconchego. No ar paira o aroma do meu prato predileto. A cozinha contígua não me seduz a visitá-la agora. A lareira acesa e a televisão off, acolhem-me e eu desconecto-me do mundo.

Adormecida, desperto com as lambidelas dos meus cães.

Sigo-os até à mesa, onde um bom vinho, a refeição desejada e uma excelente companhia, aguardam-me para o meu deleite.